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Globalização verde-amarela
Antoninho Marmo Trevisan
14-11-97
Difícil dizer quanto tempo vai durar essa guerra do mundo moderno, a guerra dos
capitais globalizados. Alvos desguarnecidos dela, o Brasil e seus governantes devem ter
aprendido a lição: dependência irrestrita de capitais externos é perigosa, muito perigosa.

Os últimos acontecimentos na economia mundial e nacional provaram que a globalização
deve ser um caminho de mão-dupla. Por isso, devemos prestigiar e estimular a formação
de grandes empresas de capital verde-amarelo transnacionais, que, numa crise como
essa, funcionariam como tentáculos pelo mundo afora, para captar negócios, atrair
recursos e integrar interesses.

Exceto por alguns ajustes em certos setores, a economia brasileira até que ia bem,
muito bem. Empresas se reestruturando, novas fábricas se instalando, estatais sendo
privatizadas, a educação começando a engrenar. Faltava, é claro, o acerto nas contas
públicas e o controle dos déficits fiscal e comercial. Mas o governo se mostrava atento,
as reformas vinham sendo costuradas e o presidente Fernando Henrique se mostrava
confiante no seu taco para aprová-las na hora "H", provavelmente depois da sua reeleição.

O mundo, porém, estava bem mais complicado. Desastres longe daqui repercutirm com
vigor inesperado, muitíssimo mais forte do que as autoridades brasileiras podiam esperar.
A reação seguiu o que recomendam os manuais: elevar as taxas de juros e pacote de
medidas para garantir mais financiadores, multiplicando divisas e assegurando o
crescimento. Para apagar o incêndio só mesmo poupando, apertando o cinto,
diminuindo as despesas, tirando a gordura e, junto, um pouco de carne. O pacote
do governo atirou pra todos os lados.

Diante disso, só resta reforçar dois pontos Temos um notável estoque de bens
representados pelas ações das empresas estatais e pelas concessões de serviços
públicos ainda disponíveis. Um fundo com esses ativos chegaria próximo a 200 bilhões
de dólares que, securitizados, serviriam de moeda de alto valor agregado para atrair
investidores ou reduzir e até liquidar a dívida do setor público federal. E temos também
uma estrutura de consumidores invejável, para a qual o mundo todo está atento.

Mas ainda há tempo! O BNDES e a CVM, juntos com o Banco Central, tendo o CADE
como aliado, podem estimular fusões de companhias congêneres que queiram se instalar
em outro países. O Itamaraty pode integrar nesse projeto seus experientes diplomatas,
para dar orientação e apoio a operações made in Brazil. Empresas de serviços dos mais
diferente campos formariam alianças na consolidação desse processo de fortalecimento
dos negócios mundiais. Os principais bancos locais partiriam para operações no exterior.
Tudo coordenado e integrado.

A mão-de-obra do brasileiro expatriado é farta. Nada dará mais satisfação a um deles do
que trabalhar numa multinacional verde-amarela. Enfim, faríamos como qualquer empresa
transnacional. Em primeiro lugar os nossos interesses; depois os deles.

Teríamos, é claro, que dar vida às câmaras de comércio brasileiras e nosso presidente
se espelharia em Bill Clinton, que declara sem constrangimentos: amigos, amigos, mas,
primeiros vamos tratar dos interesses empresariais norte-americanos. No que ele faz
muito bem!

Imaginem como seria bom recebermos dividendos de empresas nossas na Arábia
Saudita, Rússia, Colômbia, China, África do Sul, de cruzar pelo mundo com marca
nacionais. Estaríamos internamente mais seguros e, lá fora, nossos corações se
sentiriam mais brasileiros.
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